RinoGas

sexta-feira, março 25, 2005
super mega desafio - última parte

certezas II aqui.


--------------------------------------------------------------------------------



Hoje é sexta-feira e sexta é dia de:

Super mega desafio.

Toda sexta-feira alguém que admiro continua esse mesmo começo tosco de conto que eu, minha mente e minhas patas tortas escrevemos.

Hoje, para fechar essa temporada, é a vez do Abner, que escreve contos absolumanete fantásticos e geniais.




--------------------------------------------------------------------------------



Uma senhora gorducha e loquaz, conversando amenidades com uma colega de serviço que carregava seu sobrepeso com muito muito esforço. Além da gordura, levavam também uma trouxa de roupa cada uma. Iam devagar, batendo papo como boas velhas comadres que eram, falando de todos que conheciam e desconheciam, enquanto praticamente se esqueciam do mundo.

Eu ali, dois passos atrás observando, quando uma estranha sensação começou a se desencadear pelo meu corpo. No meu sangue, a inquietude circulando, tendo como primeira manifestação, uma tremedeira iniciada em meu pé direito, mas que não muito se alastrou por todo corpo. E as duas boludas lá se arrastando pelas ruas.

Comecei a desconfiar que o meu ligeiro mal-estar estivesse relacionado às duas gordas; nunca se sabe, coisas deste tipo acontecem a todo tempo, em todos os lugares, com quase todas as pessoas. Ainda me lembro daquela vez em que um sujeito pegou uma doença fatal após seguir um grupo de esquilos desbravadores em um mato não muito desconhecido; e veja bem, o sujeito ainda era novo, com uma vida pela frente, quem sabe muito a realizar, enfim, como eu estava dizendo, achei melhor investigar, na esperança de salvar mais pessoas do tremendo mal.

As gorduchas entraram num casebre não muito distante e deixaram a porta aberta. Eu ali, mais de dois passos atrás, mas sem perder a compostura, as segui pra dentro do recinto. Lá estavam muito mais senhoras do mesmo estilo, todas com o fardo de pano em baixo do braço. Uma espécie de assembléia, se assim posso chamar o acontecimento.

Misteriosamente, de dentro dos panos, elas começaram a tirar potes, muitos potes cheios de um líquido marrom, com pequenos pontinhos verdes e fluorescentes. Logo depois, uma velha sai debaixo da mesa com um saco de farinha e inicia-se então a produção de pães. Então era ali que a padaria produzia aqueles pães ornamentais, de todos os tipos cores formas preços gostos, mas que trariam, certamente a longo, curto, médio ou fundo prazo, efeitos maléficos, muito maléficos. Era por isso que as pessoas que me cercam eram todas afetadas por uma estupidez crônica e eu, sinceramente, já começava a ceder aos efeitos da doença.

Então, depois de constatar todos os fatos e tomar as devidas notas dos acontecimentos, fui-me embora pra a França na esperança de achar pães mais puros, saudáveis e de melhor propósito. Procurei por rios por perto e não achei; os pães não tinham forma tão abstrusa, não tinham. Mas ainda não confio plenamente nisso tudo. Senhoras gorduchas e loquazes eu aceito, entendo de bom coração. Mas os seres afetados pelas senhoras, esses são um mau presságio, talvez o pior de todos.


por Abner (em itálico)