RinoGas

quarta-feira, março 23, 2005
pantufas da união

Era a vez dela escolher, então foram assistir uma típica comédia bestinha de amor, hollywoodiana, melosa e previsível. Nessas horas ele queria se matar, mas sobrevivia, ah sobrevivia sempre. Antes de entrarem, ela pedia pipoca doce e ele risólis de queijo bem engordurado, daqueles que deixam o guardanapo trasparente (se não, não presta). No cinema, ele preferia tirar os sapatos enquanto ela calçava suas mini-pantufas que sempre trazia dentro da mochila consigo sem desgrudá-la nunca do corpo. Ele jamais usava amarelo e ela só vestia rosa. De música, ela Sandy, ele só no MPB clássico. Ele quer mudar o mundo e ela no máximo do máximo mudar a si mesma, deixando de usar rosa todos os dias por exemplo (mas isso só beeeem mais pra frente; agora não, agora não). E o filme? Bom, enquanto lágrimas escorriam pelos olhinhos piscantes dela, com o rimel todo borrado, ele bocejava e dava umas pescadinhas de vez em quando. Mas mesmo entre bocejos de um e lágrimas de outra, mesmo com as diferentes esperanças, mesmo com as incongruências e imperfeições; as mãos dadas, unidas durante todo o filme, estiveram sempre em perfeita comunhão., mesmo que ele com a outra mão, afagasse discretamente o cotovelo da mocinha que estava sentado do seu outro lado.