RinoGas

sexta-feira, fevereiro 18, 2005
sonhos de uma tarde de verão

Super mega desafio.

Toda sexta-feira alguém que admiro vai continuar esse mesmo começo tosco de conto que eu escrevi.
Começamos hoje com a Srta Bia , já famosa aqui pelas redondezas.




Sonhos de uma tarde de verão

Uma senhora gorducha e loquaz, conversando amenidades com uma colega de serviço que carregava seu sobrepeso com muito muito esforço. Além da gordura, levavam também uma trouxa de roupa cada uma. Iam devagar, batendo papo como boas velhas comadres que eram, falando de todos que conheciam e desconheciam, enquanto praticamente se esqueciam do mundo.

Eu ali, dois passos atrás observando, quando uma estranha sensação começou a se desencadear pelo meu corpo. No meu sangue, a inquietude circulando, tendo como primeira manifestação, uma tremedeira iniciada em meu pé direito, mas que não muito se alastrou por todo corpo. E as duas boludas lá se arrastando pelas ruas.

Bati levemente com a cabeça no poste ao lado e a tremedeira pareceu estancar. Mas meus olhos começaram a piscar, num ritmo de borboleta, queriam observar as duas perfeitas réplicas de repolho em fim de feira no domingo. E como não tenho poder sobre alguns de meus sentidos, pus-me a observar a imensa verruga roxo-amarronzada que a comadre da esquerda tinha bem abaixo do olho formando noventa graus com o nariz. Se espremesse sairia muito mais que pus amarelado, talvez até farelo de fubá ou talvez ali estivesse o terceiro segredo de Fátima.

Escuto melhor quando olho para quem está falando, então logo comecei a ouvir a conversa. As comadres falavam da possibilidade da sobrinha de 15 anos da vizinha da cunhada da comadre da direita estar grávida do enmaconhado oficial da rua. Pareciam assustadas e ao mesmo tempo aliviadas por ele ser um enmaconhado e não um pastor de igreja evangélica. Discutiam o que a garota deveria fazer. Aborto é pecado, mas a da esquerda confessa que uma vez tomou chá de boldo durante duas semanas só por precaução. Decidiam sobre a vida dela sem nem mesmo consultá-la. É mesmo delicioso brincar assim com a vida dos outros. Decidi que a da esquerda provavelmente morreria de asfixia provocada por um caroço de ameixa. Ela provavelmente acredita que não existam ameixas que não sejam pretas e murchas, mas roxas avermelhadas ela poderá vir a conhecer se olhar para o espelho antes do segundo final. A da direita vai morrer de overdose de suco de groselha. Será seqüestrada e como não pagarão o resgate, o seu algoz a forçará a tomar todo o estoque do suco da velha fábrica, local do cativeiro. Sim, não há nada mais doce do que suco de groselha.

As duas mudaram a rota de repente e passaram bem do meu lado, indo na direção contrária. E a última coisa que vi foi um pequeno bottom escrito "quer emagrecer, pergunte-me como". Elas foram embora e eu pensei em fumar um baseado, nunca li em nenhum rótulo que ficar noiado engorda.



por Srta Bia (em itálico)