RinoGas

segunda-feira, janeiro 24, 2005
sobre o fogo e a decisão

Das dúvidas de conduta e das crises existenciais, acontece a pobres almas que se sentem superiores pelo desdém que assumem diante da futilidade, de serem acometidas vez por outra sobre o questionamento do agir ou não agir.

Esse grande dilema talvez tenha sido a diferença mais marcante entre o ocidente e o oriente antigo. Do lado do sol nascente, a passividade e o "deixe estar" predominava, enquanto do lado de cá, tempo era sinônimo de dinheiro, legitimando assim a supremacia do agir. A globalização chegou e acabou com tudo isso, o lado de cá e o lado de lá já não existem mais e sobrou para aqueles que sofrem desse tipo de febre mental (já que não podem mais assumir uma identidade pessoal baseando-se na geografia), o papel de decidir-se por si mesmos. Desculpem, sou saudosista, eu gostava daquela polarização da guerra fria. Quando independente de qualquer coisa, oprimiam-se as pessoas pela nacionalidade e tal. Obviamente que antigamente era tudo extremamente mais prático, existiam os bandidos, os mocinhos e ponto final. Agora é essa confusão, essa palhaçada toda.

Divago, voltando, enfim, muitos são acometidos pelas dúvidas do “mas” e tiranizados pelo “se”. Eu mesmo um certo dia sofri de uma crise dessas e fiquei com cara de bobo, olhos esbugalhados e babando um pouquinho. Eu, assim como você, também já perdi meu tempo pensando se eu deveria ficar parado ou fazer alguma coisa da minha vidinha além de pastar na savana africana. Mesmo sendo um rinoceronte aparentemente calmo e pacato, não consigo ficar muito tempo parado, é, tenho fogo no rabo, sabe?

Não se pode negar que quando as atitudes são tomadas mais por impulso e instinto do que por raciocínio, você acaba se poupando de muitas dessas crises ai. E como disse, decidir agir ou não é algo muito muito pessoal. Fazer ou não fazer? Eis a dúvida da grande maioria. Uma dúvida besta, por justamente não ter uma resposta. Depende, tudo depende. Einstein acabou com toda a filosofia. Tripudiou, degradou, esmigalhou, espezinhou e matou tudo!
Calma, calma. Tudo o que quero dizer é que a pergunta que se deve responder não é exatamente se você deve ficar parado ou correr e sim uma pergunta muito mais simples. Uma pergunta cuja resposta não exige muito pensar, por todos já sabermos dela por instinto; não precisa de mim, nem de ninguém. Nem mesmo do Lair Ribeiro. É só responder o quanto de fogo no rabo você pode agüentar sem se mexer. E isso soluciona todos os problemas.