RinoGas

quarta-feira, janeiro 05, 2005
sobre o catoco que liberta

Ontem eu tirei o mais perfeito catoco, dentro do universo dos perfeitos catocos, produzidos pelo homem, ever. Ai ai, ele era tão formoso e esbelto; não uma dessas melecas qualquer que se tira durante o banho numa sopradela, ou vagarosamente enquanto se está dirigindo. Aliás, bem-aventurado o advento do insulfilm que propicia a intimidade e o sossego tão essenciais para se cutucar a narina livre de olhos alheios inquisidores. Antes dessa benção da modernidade, os mais diversos motoristas se viam constrangidos e atormentados diante a possibilidade de serem flagrados ao limpar o salão. Já hoje, basta guiar com os vidros escuros levantados para se ter a privacidade tão sonhada para se tirar um tatu livre de qualquer pudor.
E então depois do primeiro êxtase de puxar vagarosamente o catoco com o dedo indicador, basta abaixar o vidro delicadamente com um mero toque do dedo minguinho no botão indicado para que se baixem os vidros. E enquanto os vidros descem automaticamente e com a brisa leve beijando-lhe o rosto, transmute o catoco irregular numa perfeita esfera com o auxilio do polegar e o dedo médio. Ato contínuo, encare o catoco nos olhos e se esse insistirem não responder ou não esclarecer todas as suas dúvidas existenciais jogue-o imediatamente janela a fora. Pode ainda acontecer dele insistir em ficar grudado sob a unha do dedo indicador e nesse caso, use de apoio o dedo médio e num piparote fantástico lance-o em direção ao carro do lado para que seja capaz de sentir a mais pura sensação de liberdade possível de ser experienciada na aventura humana terrestre.