RinoGas

quarta-feira, dezembro 08, 2004
sobre o jairo e o tênis

Quem acompanha as caixas de comentários já deve conhecer o Jairo. Como tenho o péssimo hábito de querer ver meus amigos felizes, estou publicando um texto dele. Apreciem com moderação e tratem bem do menino. Desnecessário dizer tudo isso, as palavras falam por si mesmas.
"Novembro/1997.As coisas lhe pareciam eternas, eternas como sua adolescência. Numa manhã ensolarada ao tentar calçar o tênis preferido, o xodó do mocinho, de um modelo que já não fabricavam mais, e que expressava perfeitamente sua personalidade e estado de espírito; Ele descobri que seu pé crescera, que aquele símbolo intrínseco não lhe acompanharia mais. Ele terá que aprender que as coisas se vão, e não adianta espernear. O que lhe parecia inseparável de repente vai para o lixo e ele terá de conviver com um novo par inócuo. Na sua incompreensão, sepulta seu velho amigo indelével em uma gaveta embaixo da cama. E ali deixa-o jazer. Tempos depois aturdia-se com o reencontro, observa o velho companheiro, lhe parecera mais furado, descolado e decadente do que nunca, quase assustador, reflete sobre o que lhe significara aquele couro resecado,costurado, descolado e curtido, com uma estrelinha (de salomão) de plástico azul faltando duas pontas, cheirando azedo humano, como se voltasse a dar vida a vaca e seus odores, e se questiona sobre como pôde lhe ter sido tão fiel."