RinoGas

sexta-feira, dezembro 03, 2004
sobre o bom gosto e a censura

Minha consciência é um poliedro de muitas faces, mas um poliedro de bom gosto, sem dúvida. Minha última discussão comigo mesmo partiu da minha seguinte afirmação:

Sim, é óbvio que eu sou a favor da censura.

E então começou a celeuma:

O lado careta da minha consciência perguntou: E o que te leva a pensar assim?

O lado de bom gosto respondeu: Veja os comentários nos blogs por aí, tem cada um. O horror, o horror! “Adorei seu blog, passa lá no meu e comenta”. Ou “Valew pela visita, me adiciona no seu favoritos”, escrito desse jeito mesmo. Ou ainda, “Nossa, que template bonito”. Por deus, proíbam todos! Proíbam sim, mandem prender, mandem pro inferno, quebrem todos os dedos para nunca mais poderem digitar. Salvem o mundo dessa cretinice desvairada. Nem que para isso eu tenha que perder um direitozinho aqui e outro acolá. Eu aceito. Censurem tudo, censurem sim!

O lado indeciso: Será?

O lado amargo: Se você ainda não se convenceu, tem mais. Além da liberdade de expressão, ainda as pessoas de mau gosto são favorecidas. Lembre das palavras que o UOL nos faz digitar para poder inserir um comentário. Ontem mesmo ele não queria que a gente digitasse “outrossim”? É claro que não tivemos dúvida e desistimos do comentário. Mas os vulgarzões não, esses digitam qualquer coisa! Se falarem para qualquer deles digitar “obséquio”, digitam sem o menor peso na consciência.

O lado tacanha: É verdade, é verdade. Mas ditadura não é muito radical?

O lado contemporizador: Tá, talvez uma nova ditadura seja demais. Uma solução mais amena então. Nem tanto ao céu, nem tanto a libertinagem. Que tal se para deixar um comentário, as pessoas fossem obrigadas a digitar promessas como: “Se for ruim meu comentário engordarei três quilos” (no caso de mulheres) e “Não terei potência no meu próximo ato sexual caso meu comentário seja imbecil” (no caso dos homens).

O lado mais chato que de costume: Mas as pessoas não têm palavra.

O lado acomodado: Ah! Deixa como ta, dane-se.

O lado utópico: Não, nunca! É preciso resolver isso de algum jeito. As coisas não podem ficar assim!

O lado sensato e preguiçoso conclui: É, então melhor a censura mesmo. Melhor.