RinoGas

segunda-feira, dezembro 13, 2004
17.

Escondo você bem perto
para seguro sentir a distância
de longe
e a saudade controlada
de não te ter comigo.

me afasto do carinho sincero
da sua pele quente dourando-me as costas
com o reflexo da luz do porvir.

Com as cordas e o timbre da voz
amarro você em mim
onde não posso alcançar.
Jogando ao sabor da maré
pelas ondas que impelem e repelem
no vento do meu humor.

Amarga meta contemplada,
medito e em pecado rescindo
no meu destino desvairado.
Já cantado baixinho ao pé do ouvido
o fatídico fim de ser o que é.

Sussurrado no ouvido
depois de roçado o queixo ao pescoço,
um gemido de prazer roubado de dentro de ti.

E te escondo,
escondo de mim para sentir saudades,
sofrendo por estar sem você.

Passado do tempo,
arrebatado,
jogando-me ao chão
sem saber onde anda
e porque não me quer.

Na úmida cama de pranto
com colchas de mágoas e pés de rejeito
me recolho sem jeito,
sem eira nem beira,
desterrado de ti.

Coberto dos pés a cabeça
em desespero eu te busco
e reencontro
do lugar perdido
trazendo bem perto
beijando-lhe por completo na volta
do esconderijo que te coloquei.