RinoGas

sábado, novembro 27, 2004
sobre rabos e macacos

Era um ladrão de velhinhas idosas. Ele, para sustentar seu vício em heroína, costumava atacar velhinhas indefesas todas as tardes na pracinha da cidade, sempre ali em frente à igreja. Ficava por lá, como quem não quer nada, ao lado do banco esperando as senhouras idosas passarem para gentilmente interceptá-las e levar todo o rico dinheiro sacado do caixa automático. Modernidades do fabuloso mundo moderno à parte (é só meu desejo incontrolável de criticar, mas isso não vem ao caso agora, pelo menos por hora vou tentar me conter). E assim eram a maioria dos dias deste nobre cavalheiro, por entre assaltos e agulhadas, vários anos se passaram, desde seus tenros quatorze anos até agora aos trinta e cinco.

Bem, como toda pessoa do mundo, o rapazinho tinha pais. Aliás, tinha pai e mãe já um tanto idosos. E não é que um dia sua mãe foi assaltada? Justo ela, uma velhinha de cabelos grisalhos, sempre atenciosa e prestativa. Portava-se como uma senhora da própria idade deve se portar. Um doce de pessoa, daquelas que dá vontade de encher de abraços e lambuzar de beijos. Elegante e discreta, como poucas mulheres sabem ser.

Nesse dia, logo cedo depois de ir à missa das oito, resolvera sacar dinheiro no banco para poder ir à padaria comprar guloseimas gostosas para seu filhinho querido. E foi então que tudo aconteceu, o rapaz simpático (a primeira vista ao menos), o revólver, o dinheiro, a falta do dinheiro, o abandono.


Chegou em casa aos prantos. Arrasada e mortificada. Já eram duas da tarde quando seu filho acordou meio de ressaca e sua mãe ainda lá, sentada na mesma cadeira da cozinha. Os cabelos desgrenhados, chorando copiosamente, em estado de desespero. Ao se deparar com tal cena seu filho não hesitou, a própria vida de velhaco não impediu que ele mesmo dissesse: que filho da puta esse ladrão dos infernos, mamãe! Deve ser um drogado qualquer que perdeu a noção dos valores morais de nossa sociedade.

Ele não estava errado. Isso nenhuma pessoa de bom gosto pode contestar.