RinoGas

sexta-feira, novembro 05, 2004
Sobre o casal que não deu certo

Eles ficaram juntos por três meses. Ele sempre a via fazendo mil planos com mil pessoas ao mesmo tempo e na mesma hora. Não se incomodava, afinal sempre que queria ela estava junto dele, onde quer que ele estivesse. Findado o tempo da paixão arrebatadora, já se conheciam um pouco mais. E o que antes ela fazia com os outros, passou a fazer com ele. Não apareceu duas vezes no cinema e faltou também no jantar romântico a velas que ele mesmo havia preparado.

Terminaram, não deu certo. Ele não agüentou as mentiras, as promessas quebradas e a cueca que ela “acidentalmente” manchou de batom.

A última tentativa dele, na carta de "despedida":

  • Querida Confusia Viventis,

    Depois de nossa briga por telefone, após ter dito que não tinha nada para lhe dizer, descobri que tinha sim uma coisinha pequena e insignificante. Isso, porque me lembrei da nossa conversa anterior sobre relacionamentos e os desgastes que fatalmente acontecem com o passar do tempo e com a intimidade adquirida.

    E o que tenho para dizer é o seguinte:

    Na vida todos têm o direito inalienável de ser o que quiserem ser. Incluindo assim nesse hall de variedades, desde os papéis mais santos aos mais endiabrados. Conseqüentemente, de brinde, existe a opção de ser uma pessoa sem palavra.

    Entretanto o mesmo direito universal que lhe assiste em ser o que quiser ou sonhar, também me assiste na possibilidade de escolha de com quem eu quero ou não me relacionar. O que no meu caso exclui as pessoas sem palavra, das quais eu tenho ojeriza e aflição.

    Não sei se você decidiu ou simplesmente se tornou ao acaso da vida uma pessoa sem palavra. E sem querer com isso mudar o rumo da sua vida, ou a forma como você procede, resta-me apenas uma pergunta: Ser sem palavra é um fato irrevogável?

    Desta vez sim sem mais,
    Fascis Perobum

Ela era uma jornalista famosa, ele advogado casado.