RinoGas

quinta-feira, novembro 04, 2004
Sobre o bom senso e preconceitos

Vem cá. Uma perguntinha: Você tem bom senso?
Espere um pouco. Pare. Vá na cozinha, tome alguma coisa, pense um pouquinho e me responda se você tem ou não bom senso.

Mas antes que saia gritando pelos quatro cantos e pras pessoas desconhecidas: Ei, olha pra mim! Eu tenho bom senso! Tenho sim! (falando com a coluna bem reta e com todo orgulho que se pode ostentar de si mesmo) pense aqui comigo um minuto só, não mais que isso. O que diabos é o bom senso? E talvez, e só talvez, tire as mesmas conclusões que eu.

A razão do bom senso é diretamente proporcional a quantidade de preconceitos que se carrega.

Vamos pensar numa situação mais prática e menos teórica.

Lá está você no seu carro às três horas da manhã. Bonitinho, voltando para casa. Uma noite sem lua, numa rua deserta e escura, típica do outono curitibano. O semáforo está vermelho e milagrosamente você consegue distinguir uma pessoa de cor (e quando digo de cor, é cor escura mesmo) parada bem na esquina. Com aquela carinha de quem está só te esperando para ver o que acontece. O que você faz? O que diz o bom senso? Simples. É bem fácil deduzir. Trave as portas, feche os vidros, não pare e avance o sinal!

Toda essa enrolação só para dizer uma frase de efeito:
“O senso comum nada mais é do que a média aritmética da quantidade de preconceitos existentes na sociedade. E o bom senso é aquele que mais se aproxima do senso comum”. Portanto, quanto mais bom senso, mais preconceitos. Conseqüentemente o que antes parecia ser uma qualidade invejável se torna uma falta grave num mundo politicamente correto.